A nutrição domiciliar (ND) faz parte de um conjunto de procedimentos possíveis de serem realizados em domicilio, visando recuperar ou manter o Estado Nutricional (EN) de indivíduos que necessitariam de internações hospitalares ou que receberam alta hospitalar, mas que ainda carece de apoio nutricional. A ND garante a assistência humanizada e qualidade de vida do paciente, além da educação continuada entre familiar, cuidador e paciente11,33. Atualmente com avanços tecnológicos, pesquisa e desenvolvimento é possível manter o padrão em qualidade no tratamento domiciliar tanto quanto seria em ambiente hospitalar5.
Para o paciente, o ambiente domiciliar proporciona benefícios do ponto de vista nutricional e psicológico, como risco de infecção hospitalar e stress reduzido, estabilidade emocional e recuperação clinica visível11,33.
Algumas alterações bioquímicas no paciente podem resultar em grave comprometimento da proteína muscular e a ingestão proteica reduzida promove alterações de níveis hormonais e metabólicos no organismo. A resposta imune depende da replicação celular e da produção de proteínas biologicamente ativas e isto requer uma entrada adequada deste macronutriente pela dieta17,35. A associação de proteínas de alto valor biológico tem demonstrado atender essas necessidades especificas devido ao excelente perfil de aminoácidos.
Acima de 80% dos pacientes em cuidado domiciliar apresentam melhora do EN em função do aumento da ingestão de energia e conseqüente aumento do peso corporal28,
30. Além disso, os custos hospitalares ficam reduzidos significativamente, em torno de 40%33.
Indivíduos que apresentam Índice de Massa Corporal (IMC) abaixo de 20 kg/m² também obtiveram benefícios clínicos como aumento de peso com a utilização da TN em domicílio, especialmente aqueles que se apresentaram desnutridos29.
Estudos relatam que doenças neurológicas e gastrintestinais são as principais causas que levam um paciente a utilizar TNE em domicílio. Quanto a classificação por grupo com uso de TNE domiciliar o percentual de idosos e adultos é maior quando comparado com uso pelas crianças.
Para garantir bom desempenho, continuidade no tratamento e resultados satisfatórios em domicilio, o ideal é a educação nutricional ao longo da estadia hospitalar e não somente na alta, evitando assim complicações e possíveis re–internações12,
26,
33.
Um estudo realizado em São Paulo, demonstrou que cerca de 17% dos pacientes que recebem alta hospitalar, não recebem nenhum tipo de orientação a respeito dos procedimentos que devem ser efetuados em domicilio e somente cerca de 26% dos pacientes recebem alguma orientação de médico em conjunto com enfermagem23.
5. Baxter, YC e Waitzberg, DL. Custos do Tratamento de Pacientes Recebendo Terapia Nutricional: da Prescrição à Alta. Rev Nutrição em Pauta. Jul-ago. 2004.
11. Fabricio, SCC, et al. Assistência domiciliar: a experiencia de um hospital privado do interior paulista. Rev Lat Am Enfermagem. 12(5):721-6. 2004.
12. Huber DL, McClelland E. Patient preferences and discharge planning transitions. J Prof Nurs.19(4):204-10. 2003.
17. Marchini J S, Moriguti J C, et al. Métodos atuais de investigação do Metabolismo Protéico: Aspectos Básicos e Estudos Experimentais e Clínicos. Simpósio: Nutrição Clínica, Ribeirão Preto. 31: 22-30 p. 199
23. Pompeo, DA. Et al. Atuação do enfermeiro na alta hospitalar: reflexões a partir dos relatos dos pacientes. Acta Paul Enferm. 20(3): 345-50. 2007.
26. Souza, DFM e Pinto, RLR. Rotina de serviço de nutrição em home care. Rev Nutrição em Pauta. Jan-fev. 2001.
28. Stratton, RJ. Summary of a sistematic review on oral nutritional supplement use in the community. Proceedings of the Nutrition Society. 59:469-476. 2000.
29. Stratton RJ, Elia M. Critical, systematic analysis of the use of oral nutrition supplements inthe community. Clin Nutr.18(Suppl 2):29-84.1999.
30. Straton, RJ e Elia, M. A review of reviews: a new look at the evidence for oral nutritional supplements in clinical practice. Clinical Nutrition. 2(1); 5-23. 2007.
33. Yamauti, AC et al. Atendimento Nutricional Domiciliar: Uma Abordagem Descritiva. Rev Nutrição em Pauta. Jul-ago. 2002.
35. Waitzberg D L. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática clínica. São Paulo: Editora Atheneu. 2000.
36. ZABAN, Ana Lúcia Ribeiro Salomon. Nutrição enteral domiciliar: um novo modelo de gestão econômica do Sistema Único de Saúde. 2009. 172 f. Dissertação (Mestrado em Nutrição Humana) - Universidade de Brasília, Brasília, 2009. Disponível em: http://repositorio.bce.unb.br/handle/10482/3941. Acessado em 18 de maio de 2010.